Conclusão da
leitura de uma obra já solicitada no mês de maio/2014
ATIVIDADE
APRESENTADA PARA OS ALUNOS DE LÍNGUA PORTUGUESA
Objetivos:
- Indicar um trabalho com textos
narrativos, tais como: conto, histórias, romance, assim por diante.
- Distinguir e utilizar, produtiva e
autonomamente, no discurso descritivo, mecanismos de focalização apropriados ao
efeito de significado esperado.
- Distinguir e utilizar, produtiva e
autonomamente, as fases ou passos do discurso descritivo, na compreensão e
produção de textos.
-
Provisões para a efetivação da atividade:
-
Providenciar cópias do texto para os alunos.
Pré-requisitos:
Reconhecer que, em grandes itens dos
textos que circulam, o discurso descritivo acontece em meio a séries
expositivas e/ou narrativas.
Compreender que a narração inclui as
tarefas de colocar o leitor em um determinado “ambiente”, conduzi-lo, para lhe
falar como deve movimentar o olhar, para aonde deve andar e assim por diante, e
desassossegar o leitor na direção que o leve a experimentar o que o autor do
texto confia que ele sinta enquanto interpreta o texto.
Saber que a definição se expressa no
vocabulário, na forma como esse vocabulário se constitui sintaticamente nos enunciados.
Que implicações de sentidos pretendo
gerar em meu leitor?).
Descrição dos procedimentos:
O texto abaixo é um pedaço do livro
“A bolsa amarela” de Lygia Bojunga
A bolsa amarela
Era amarela. Achei isso
genial: pra mim o amarelo é a cor mais bonita que existe. Mas não era um
amarelo sempre igual: às vezes era forte, mas depois ficava fraco: não sei se
porque ele já tinha desbotado um pouco ou porque já nasceu assim mesmo,
resolvendo que ser sempre igual é muito chato.
Ela era grande: tinha até mais tamanho de sacola do que de bolsa. Mas
vai ver ela era que nem eu: achava que ser pequena não dá pé.
A bolsa não era sozinha: tinha uma alça também. Foi só pendurar a alça
no ombro que a bolsa arrastou no chão. Resolveu o problema. E ficou com mais
bossa também.
Não sei o nome da fazenda que fez a bolsa amarela. Mas era uma fazenda
grossa, e se a gente passava a mão arranhava um pouco. Olhei bem de perto e vi
os fios da fazenda passando um por cima do outro: mas direitinho; sem fazer
bagunça nem nada. Achei legal. Mas o que eu achei mais legal foi ver que a
fazenda esticava: “vai dar pra guardar um bocado de coisa aí dentro”. (...) Vi
a bolsa por dentro...Abri devagarinho. Com medo danado de ser tudo vazio.
Espiei. Nem acreditei. Espiei melhor.
- Mas que curtição! - berrei. E ainda bem que só berrei pensando:
ninguém encostou nem olhou. A bolsa tinha sete filhos! Eu sempre achei que
bolso de bolsa é filho de bolsa. E os sete moravam assim:
Em cima, um grandão de cada lado, os dois com zíper: abri-fechei,
abri-fechei, abri-fechei, os dois funcionando que só vendo. Logo embaixo tinha
mais dois bolsos menores que fechavam com botão. Num dos lados tinha outro –
tão amargo e tão comprido que fiquei pensando o que é que podia guardar ali
dentro (um guarda – chuva? Um martelo? Um cabide de pé?).
No outro lado tinha um bolso pequeno, feito de fazenda franzidinha, que
esticou todo quando eu botei a mão dentro dele: botei duas mãos: esticou ainda
mais: era um bolso com mania de sanfona. Como eu ia dar coisa pra ele guardar!
E por último tinha um pequenininho, que eu logo achei que era o bebê da bolsa.
Comecei a pensar em todo que eu ia esconder na bolsa amarela. Puxa vida,
tava até parecendo o quintal da minha casa, com tanto esconderijo bom, que fecha,
que estica, que é pequeno, que é grande. E tinha uma vantagem: a bolsa eu podia
sempre levar a tiracolo, o quintal não.
Lygia Bojunga. A bolsa amarela. Rio de Janeiro: Casa Lygia Bojunga,
2003.
O que acharam da
obra que vocês leram? ..........................................................................
O que mais chamou a
atenção?...........................................................................................
3) Qual é o tema
tratado no texto pela narradora?.............................................................
4) A que gênero dizer respeito o
texto? ( jovens lembrem-se que a
narrativa - o fragmento de história - mistura representações de atuações e de
acontecimento, com representações de objetos e personagens)...........................................................................
4) Note que o texto está dividido em
duas partes: “A bolsa por fora” e “A bolsa por dentro”. Por que o texto ganhou
essa disposição?..............................................................
O texto é representante do gênero narrativo (história), logo a narração
está em primeiro plano, apesar do volume de continuações descritivas. A própria
disposição do texto, em itens, narra um jeito de reconhecer a bolsa: por fora e
depois por dentro. 5 ) Releia a 1ª parte do texto:
Como a narradora narra a bolsa por
fora?...........................................................................
E por dentro? ......................................................................................................................
Quais são as palavras que, no seu
julgamento, descrevem a bolsa?...................................
8) No derradeiro parágrafo, da
primeira parte do texto, a narradora narra como era o tecido da bolsa. Que consequência
de sentido essa descrição gera? .................................
Estudantes é importante explorar o
adjetivo “grosso”, que confirma sobre o aspecto do tecido e provoca, ao passar
a mão, percepção de aspereza).
9) Releia os três iniciais parágrafos
da 2ª parte do texto: O que a narradora faz nessa parte?...................................................................................................................................
10) Lembre que em sua disposição o
texto apresenta frases pequenas, como se vê no fragmento abaixo:
“Abri devagarzinho. Com um medo
danado de ser tudo vazio. Espiei. Nem acreditei. Espiei melhor”.
..................................................................................................................
Que efeito de sentido essa disposição
provoca?................................................................
12) É possível definir a idade da
narradora? ....................................................................
13) Explique sua resposta com
subsídios do texto:...........................................................
Prováveis dificuldades:
Importante analisar a função da
descrição nos textos (narrativos, expositivos). Analisar que na construção do
discurso descritivo a primeira pergunta a ser feita: é quem descreve? A seguir,
para que, para quem. A partir daí, o como narrar. Há possibilidade dos alunos
não distinguirem algumas palavras do texto, como por exemplo, “bossa”,
“fazenda” (tecido) e assim por diante.
Glossário:
Exposição de processo: explicitação
da maneira de se fazer alguma coisa; uma das possibilidades concernentes a ação
de descrever.
Considerações Finais
O embasamento teórico permitiu
apreender que a leitura deste livro, quando devidamente intercedida, leva o
aluno ao ato da leitura e, consequentemente, pode despertar o interesse pela
produção textual. Como a protagonista da história registra suas idéias, a
exemplificação permite a criação de textos autênticos, pois há em seus escritos
textos completos que desenvolvem na narrativa de caráter coeso e até
intrigante. Se existir uma correta mediação e se for consciente de que o
principal objetivo de uma educadora precisa ser o de formar leitores
competentes, o indivíduo que fizer a leitura deste livro, nessa expectativa,
chegará à competência linguística de realizar a leitura não só deste livro, mas
de outros.
O livro “Bolsa Amarela” demanda
do leitor capacidade linguística, para saber identificar o que é criação linguística
da autora e o que é a maneira coloquial que ela emprega. Por mediação da
interação livro/leitor, haverá um alicerce que evidenciará capacidades cognitivas,
afetivas as quais gerarão inserção social da escrita, da ilustração, fruto de
uma leitura ponderada. Esta obra comprova o desempenho de papéis sociais que
compreendem do linguístico ao psicológico, do intelectual ao pedagógico. Essas
características presentes no processo de desenvolvimento do ser humano nos
aspectos do pensamento reflexivo, da aquisição da cidadania integral e do
aprofundamento de conceitos que são muitas vezes completamente abstratos.
REFERÊNCIA
NUNES, Lygia Bojunga. A Bolsa
Amarela. Rio de Janeiro: Agir, 1986.
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